O tempo entre costuras é uma minissérie curtinha com apenas 17 episódios, disponível no Netflix, com uma fotografia e um colorido espetaculares, tendo já conquistado 14 prêmios internacionais. A obra, repleta de acontecimentos históricos e intensos dramas individuais, retrata um pouco da cultura espanhola, portuguesa e marroquina, principalmente em relação à moda e sua complexidade cultural.

Sua ação transcorre durante a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial, e centra-se nos acontecimentos da vida de Sira Quiroga (Adriana Ugarte), uma jovem costureira de Madri que começou a trabalhar junto com mãe, ainda criança. Sira se apaixona loucamente por Ramiro e juntos decidem se mudar para o Marrocos, onde se entregam a uma existência de conforto e glamour. O bom vivant desperdiçava todo o dinheiro de Sira com mulheres e festas, sob o pretexto de conseguir investidores e negócios. Quando ela menos espera sua vida sofre uma forte reviravolta. Ela se vê, então, sozinha, grávida, sem dinheiro e sob custódia da embaixada.

Para sobreviver em Tetouan, local de onde não podia sair, retoma sua profissão de costureira e por várias circunstâncias, se transforma em peça-chave na luta contra o fascismo durante a ditadura franquista. Entre linhas, agulhas, tesouras, tecidos de alta-costura e cerimônias da elite social, a jovem termina colaborando com o serviço de inteligência britânico durante o conflito mundial.

Outro elemento interessante a observar é a evolução psicológica e o amadurecimento da protagonista, que, de moça frágil e romântica se transforma em uma mulher valente e altamente habilidosa para encarar os desafios do mundo dos poderosos. Se você se interessa por esta temática recomendamos este texto que vai mostrando detalhadamente como o figurino foi evoluindo junto com a psique de Sira Quiroga nestes 17 capítulos. Porém,  só leia após assistir O tempo entre costuras.

A série é uma adaptação da obra literária de Maria Dueñas, El tiempo entre costuras, em que a autora mescla a trajetória da protagonista (fictícia) com quatro personagens que efetivamente existiram no plano da realidade, havendo sobre os mesmos relatos documentais e livros biográficos. No entanto, essas quatro figuras reais nunca foram muito conhecidas, sendo apenas coadjuvantes de uma violenta e fascinante trama de espionagem internacional.

Além da intensidade dramática dos acontecimentos, para quem gosta de moda as imagens são reveladoras e o figurino vai evoluindo delicadamente junto com a narrativa. Para a produção da minissérie foram utilizados em torno de dois mil trajes, 400 looks tiveram de ser confeccionados sob medida, utilizando tecidos de diversos lugares da Europa e o restante foi alugado em alfaiatarias de Londres e Madri. Mas o grande destaque é para o vestido Delphos – o vestido que se tornou um ícone da libertação feminina devida sua modelagem simples que dispensava o uso de corsets – acaba se tornando o personagem principal do quinto episódio.

Tendo que fazer um vestido de festa para sua cliente Rosalinda Fox, em poucas horas a modista teve a ideia de confeccionar um falso Delphos. O símbolo da alta sociedade, criado em 1909, por Mariano Fortuny se consagrou pela originalidade e exclusividade. O designer espanhol se inspirou nos plissados de seda grega e utilizava uma fórmula secreta de corantes para tingir o tecido somado a um processo peculiar de fabricação que fazia com que cada vestido fosse único. Vale a pena conferir e comparar o verdadeiro e falso Delphos.